terça-feira, 26 de maio de 2009

O Eu Sem Mim





a Gildo Rêgo


Através da janela negra
Ouço o barulho da chuva
Ela chama por mim
Chora comigo
Prisioneiro dos meus devaneios
Derramo lágrimas invisíveis
Que exalam a dor
O vento bate à janela
Vestido de cinza
Em busca de abrigo,
Em busca de solidão.
É março,
Começo a viver sem mim
As paredes mofadas
Sufocam a minha sombra
Sinto o ser anímico fugir pelos poros
Vejo-me virar a esquina do desamparo
Com um livro na mão
O livro dos esquecidos
E nunca,
Nunca mais eu me encontrei.

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